sábado, 1 de fevereiro de 2014

Como o PT ajudou o PSDB a virar à direita


O PT se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro-esquerda

O PSDB não chegou à direita pelas próprias pernas. Teve a ajuda do Partido dos Trabalhadores (PT), que se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro-esquerda. Aécio Neves nunca foi reformista, mas julgá-lo um direitista genético é exercício de ativista dogmático. O centro distendido sob hegemonia do PT empurrou a oposição para a vizinhança da extrema-direita, precipitando a derrota intestina de José Serra, agarrado a um reacionarismo impensável em quem discursou no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964. À oposição restam bandeiras pragmaticamente vazias, tais como a encenada indignação moral e acenos genéricos de eficiência. Sem falar no reacionarismo religioso e na defesa de um livre-mercadismo de fachada. Como é notório, só com brutal intervenção do Estado um governo de centro-direita será capaz de subverter a legislação petrolífera, os programas Mais Médicos e Minha Casa Minha Vida. Mesmo para fazê-los definhar, um governo de centro-direita precisará de boa dose de coação sobre uma burocracia estatal comprometida com o progresso, ademais de extrair enorme boa vontade do Congresso Nacional.
Esse mesmo Congresso, aviltado pela imprensa conservadora e pela esquerda caolha, foi a instituição que aprovou o regime de partilha do pré-sal, ainda no governo Lula, e tem apoiado as principais políticas sociais do governo Dilma Rousseff. Uma política de liberalismo desenfreado só será possível com a transformação do Estado brasileiro em variante do bismarckismo alemão. O avesso do que o eleitorado conservador deseja.

O centro estendido do PT também trouxe dificuldades para o campo progressista. A mais óbvia transparece na acusação de reacionarismo a qualquer opinião divergente, autônoma em relação à cadeia de comando dos líderes do centro-baleia, a começar pelas palavras de ordem do Partido dos Trabalhadores. Embutida na interdição esconde-se menor probabilidade de que deficiências reais de governança sejam proclamadas por aliados. Avanços sociais estão conectados a manifestações de inconformismo, sem automática identificação com a oposição do momento. Durante os governos Vargas e JK sucederam-se greves e passeatas a favor de políticas nacionalistas e de críticas a medidas específicas. As manifestações não atendiam a nenhuma convocação da direita, do tipo “Vem pra rua você também”, que atualmente apavora a esquerda e o governo. O governo opera com déficit de crítica consistente.

Reflexo do ambiente intoxicado, o sindicalismo operário emudeceu. Limitado a manifestos plenos de estereótipos, copia a genérica pauta direitista – ensino público de qualidade (nunca haverá suficiente, o conhecimento progride), saúde pública, transporte, moradia, segurança. Elegibilidade para os analfabetos, que é bom, nada; participação dos trabalhadores na administração das grandes corporações, nem pensar. Não mais do que dois exemplos de uma pauta latente, ausente da cogitação sindical. Os sindicatos não se recuperaram do choque de haver perdido o controle das ruas. Reescrever ideologicamente a história de junho de 2013 não garante a recuperação de iniciativa crível, seja por decreto, seja por currículo de glórias passadas. Outra consequência da consolidação do centro expandido foi a instauração de um vazio institucional à esquerda, vicariamente ocupada por aglomerado de grupos heterogêneos. A coalizão parlamentar do governo tornou irrelevante o apoio da centro-esquerda. Sem considerar o PMDB, cuja análise não é simples, a coalizão do PT tem como coligados numéricos o PP/PROS, o PSD, o PR/PTdoB/PRP, seguidos, até recentemente, pelo PSB, em parte pelo PDT e pelo PCdoB. O total de cadeiras desse último grupo (PSB, PDT e PCdoB) não passava de 56. Só o PP, o PR e o PROS detêm um conjunto de 89 cadeiras na Câmara dos Deputados. A cooperação costurada entre os partidos deixou o PT a vários passos de distância de seu parceiro ideológico adjacente, o PSB (24 cadeiras). O rumo do governo é vigiado pelo núcleo duro da centro-direita.

Independente dos motivos do governador Eduardo Campos, cujas alianças provocam resistências entre os socialistas, a saída do PSB do governo só surpreende pelo tempo que demorou a acontecer. Para um partido que busca crescer nas eleições proporcionais pela via ideológica da centro-esquerda, talvez a oportunidade tenha sido perdida. A tentativa de enfiar uma cunha entre o centro expandido do PT e o PSDB sofre das dificuldades diante da coalizão no poder e da incoerência ao aceitar o direitismo do Rede como segundo em comando (e há quem duvide que o Rede seja mesmo o segundo em comando) além das oscilações na conduta do candidato Eduardo Campos.
O vazio à esquerda tem sido ocupado por grupos inconformados com o estado do mundo, em geral. Desde logo, esse burburinho nada tem a ver com os “precariados” de Guy Standing (The Precariat – London, Bloomsbury, 2011), tese recém-importada. Ao contrário de desempregados, trabalhadores temporários, classe média empobrecida e com miséria à vista, os manifestantes de junho de 2013 eram na maioria jovens de classe média ou empregados com salários acima de dois salários mínimos (30,3% deles em 20 de junho de 2013, no Rio de Janeiro, segundo a Plus Marketing consultoria) e segmentos em processo de ascensão social. Outras pesquisas registraram o nível superior de estudos de expressivo número de participantes. Economicamente, o elevado custo do meio utilizado para a mobilização – as redes sociais eletrônicas – exclui os presumidos “precariados” da frequência a participações. Vale registrar que, ao contrário da Europa, à intensidade das manifestações seguiu-se a rapidez de sua dissolução em números de manifestações, de participantes e de cidades contagiadas.

Além do equívoco da classificação de “precariados”, é simplismo considerar que uma convocação fascista obteria tamanho sucesso. Houve a infiltração fascistoide posterior, que terminou por se apropriar da liderança dos acontecimentos. A fragilidade estratégica desses aglomerados, contudo, revelou-se na velocidade com que os grupos de professores, enfermeiras, a maioria de funcionários públicos, foram abandonando as marchas. Reconhecer as diferenças entre os movimentos de 2013 e os movimentos europeus permite supor que as manifestações não aderiram, aqui, ao precipitado diagnóstico de fracasso da social democracia brasileira.

A rejeição atingia todas as formas de participação institucionalizada. O que havia e há é um vácuo desde que a marcha para o centro levou o governo a esconder sob inegáveis vitórias econômicas a pauta de modernização do pluralismo social brasileiro: aborto assistido, relações homoafetivas, regulamentação do uso de drogas recreativas, pesquisas com seres vivos, temas, entre outros, eliminados por imposição da direita do centro. A Presidência tornou-se forte parlamentarmente ao preço de se enfraquecer perante a sociedade em mudança. Algo de novo existe. Trata-se de inédito tipo de intervenção política. Grosso modo, a análise do capitalismo toma por base as classes, as corporações profissionais e cristalizados grupos de interesse. Entendo que os movimentos recentes são constituídos pelo ajuntamento de atores menos abrangentes do que as classificações preponderantes. Eles proliferam como pequenas coletividades de exígua tolerância e com exigentes critérios de pertencimento. Denomino-os, sem ofensa, de “micróbios” (pequena vida), primeiro em razão de seu tamanho, e pelo fato de que não possuem denominador comum. Nem todos são patogênicos ou letais, que os há benéficos ao exercício da democracia.
Nessa ecologia há lugar para microlegendas, como o PSTU e o PSOL, que encontram em tal cenário a rara oportunidade de serem notados. Comparecem também os grupos nanicos reivindicando direitos (moradores do bairro tal ou qual) ou só comemorando a própria existência, avessos a partidos, sindicatos ou corporações de ofício. São erupções intensas de vida política, mas de curta duração. Eficazes no curto prazo, sem influência em período mais extenso. Eleições são fenômenos de curto prazo, mas o fenômeno dos “micróbios” não é só eleitoralmente relevante. É uma criação da sociedade contemporânea e, portanto, compatível com a convocatória: “Vem pra rua você também”. Os democratas deviam adotá-la e voltar às ruas para conquistá-las. *Artigo publicado originalmente com o título Vem pra rua você também, na edição 783 de CartaCapital

Fonte: http://www.cartacapital.com.br

Em busca de mídia e sem projeto de partido nova maioria do PT/PB prossegue a “caça” aos aliados de Couto

Sem um projeto de governo, sem lideranças com visibilidade estadual, com uma maioria de dirigentes despolitizados, outros sem autonomia politica para opinar ou discorda das orientações do seu empregador, é assim que se encontra o Partido dos Trabalhadores da Paraíba.

Durante todo o período do Processo de Eleições Diretas, o mote do grupo que hoje manda no PT\PB, foi o de ameaças a única liderança de expressão no estado, o deputado federal Luís Couto, satisfeitos com os espaços generosos que a grande mídia ofereceu durante o PED, e sem terem um projeto de governo que possa colocar o partido em evidencia, resolveram dar continuidade ao processo de “caça aos companheiros”.

Ontem (29.01) na primeira reunião da Executiva Estadual, mesmo estando a oito meses das eleições (estadual e nacional) os dirigentes abdicaram de discutir a conjuntura politica do estado e as estratégias eleitorais de 2014, dentre outros pontos de maior relevância politica, para pautarem a continuidade de perseguição aos petistas aliados do deputado Luís Couto.
E o mais cômico de tudo, é a vaidade de alguns que numa demonstração de despreparo politico ocupam as redes sociais, para expor o “troféu” que eles obtiveram na primeira reunião da executiva estadual (expulsão, suspenção, recebimento de desfiliação...). Em 30 anos de militância politica partidária, desconheço a existência de um partido que tenha comemorado publicamente a perda de lideranças.

E o que há de mais despolitizado, pequeno, miúdo e rasteiro, são as punições seletivas, punições que buscam apenas disfarçar a falta de um projeto de partido. Isso fica claro quando não cobram fidelidade dos detentores de mandatos como os prefeitos, vices e vereadores. Poucos são os vereadores do PT da Paraíba que irão votar nos candidatos do partido, quantos prefeitos do interior irão se submeter aos caprichos dessa nova maioria? (Vladimir Chaves)

Fonte: http://www.vladimirchaves.com.br

Petistas com cargos no governo reagem e lançam palanque Dilma/RC na Paraíba

                            
Detentores de pasta na gestão estadual querem movimento para contrapor candidatura própria

Os petistas com cargos no Governo do Estado resolveram reagir após decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) pela desfiliação dos detentores de pastas na gestão estadual. Eles lançarão movimento pelo palanque da presidente Dilma Rousseff ao lado do governador Ricardo Coutinho se contrapondo ao partido que tem reafirmado candidatura própria nas eleições de outubro.

A informação foi repassada em primeira mão ao MaisPB pelo diretor de economia e fomento da PBtur, Francisco Linhares, garantindo que ele e os outros colegas que sofrem processo de desfiliação não pretendem deixar o partido.

“Muitos companheiros têm nos procurado para buscar construir os comitês Dilma para presidente e Ricardo para governador da Paraíba”, disse Linhares após afirmar que quando ele e outros petistas que ocupam cargos na administração estadual entregaram documento pedindo afastamento do PT seria para “ficar a vontade” no sentido de trabalhar o palanque da petista ao lado do socialista.

“Esse movimento será feito por companheiros filiados, ou, não ao PT. Temos notícias que também vários companheiros do PC do B estão defendendo essa tese também. Eu tenho recebido muita manifestação de companheiros ligados ao PT que entendem que essa é um bom caminho”, afirmou.

Para isso, Linhares cobrou “bom senso” por parte da direção estadual do PT com outros companheiros da legenda que venha compor a tese da aliança com o socialista.

“Eles não vão sair expulsando todos os companheiros que fizer uma manifestação favorável a isso. Eu sei que vão ter vários que vão fazer. Estamos trabalhando nessa direção”, garantiu.

Caça as bruxas – Ainda durante a entrevista, Linhares declarou que a decisão do Partido dos Trabalhadores pela desfiliação dos que se negam a deixar os cargos no Governo Estadual seria uma verdadeiras “caças as bruxas” praticadas pela nova direção estadual da legenda.

“O que a gente lamenta é que precede um sentimento de caças as bruxas. A direção estadual do PT, totalmente desorientada por falta de políticas, vem ocupando sua agenda desde que foi eleita a gestão de Charlinton Marchado só no projeto de caças as bruxas. Se eles conseguirem apresentar outra “Pauta ganha um doce quem conse guir identificar”, disparou. Roberto Targino – MaisPB


Fonte: http://www.maispb.com.br

Governo celebra 10 anos do Programa de Aquisição de Alimentos

Seminário internacional reunirá em Brasília, no dia 4 de fevereiro, agricultores familiares, chef de cozinha, representantes de organizações internacionais e governos de cinco países da África e oito da América Latina

Brasília, 28 – No Ano Internacional da Agricultura Familiar, realizado em 2014, o governo federal também comemora os 10 anos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e do Desenvolvimento Agrário (MDA). Para celebrar, um seminário internacional irá reunir comitivas de oito países da América Latina e cinco da África, além de parceiros, representantes de organizações internacionais, agricultores e autoridades em segurança alimentar e nutricional. O evento será na terça-feira (4), em Brasília.

Os ministros Tereza Campello e Pepe Vargas estarão presentes ao evento, que também exibirá vídeos com as falas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), José Graziano da Silva. Ao final do evento, os convidados serão brindados com um coquetel elaborado pela chef de cozinha carioca Tereza Corção, famosa por cozinhar alimentos orgânicos cultivados por agricultores familiares. Os quitutes oferecidos serão à base de inhame produzido no município de Viçosa (AL), pela agricultora Luciene da Silva Santos e sua família. O coquetel também apresentará produtos da Cooperativa Central do Cerrado.

O Seminário Internacional PAA + Aquisição de Alimentos no Ano Internacional da Agricultura Familiar será dividido em quatro painéis, que debaterão a importância do programa para a agricultura familiar e para o desenvolvimento local, seu impacto na promoção de uma alimentação adequada e seu papel de referência internacional de política pública – o programa brasileiro inspirou o PAA África, que atua em cinco países daquele continente e alimentou 125 mil estudantes com a produção de mais de 5 mil agricultores familiares.

Ao fim do evento, será lançado o livro PAA - 10 anos de aquisição de alimentos, que documenta algumas das experiências a serem apresentadas durante o seminário. Uma mostra fotográfica sobre o tema também será realizada no local. No dia 4 de fevereiro, o seminário será transmitido ao vivo pelo site http://www.paa10anos.com.br/. Também haverá cobertura em tempo real pelas redes sociais do MDS com as seguintes hashtags: #AgriculturaFamiliar2014 e
Na quinta-feira (5), os participantes estrangeiros visitarão uma família de agricultores residente no Distrito Federal que vende os alimentos para o Programa de Aquisição de Alimentos.

O seminário internacional é organizado pelo MDS em parceria com os ministérios do Desenvolvimento Agrário e das Relações Exteriores (MRE) e com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa Mundial de Alimentos (PMA).

Fonte: asaparaiba

Rede Globo responde a inquérito instaurado na Polícia Federal

A Polícia Federal, no Rio de Janeiro, instaurou inquérito para investigar possível fraude tributária nas Organizações Globo

A Polícia Federal (PF), no Rio de Janeiro, instaurou inquérito para investigar possível fraude na Rede Globo e na Globo Participações (Globopar) junto ao fisco. A denúncia sobre a sonegação bilionária das Organizações Globo e posterior desaparecimento de provas junto à Receita Federal, que o núcleo fluminense do Barão de Itararé, junto com os blogs Megacidadania e O Cafezinho, protocolou no Ministério Público Federal (MPF), seguiu os trâmites internos da instituição e se transformou em um inquérito, conduzido pela equipe do delegado federal de primeira classe Rubens de Lyra Pereira.

O inquérito federal a que passa a responder a empresa destinatária de mais da metade dos recursos públicos destinados à publicidade, no país, visa apurar crimes contra a ordem tributária, de sonegação de impostos propriamente dita, que pode envolver evasão de divisas, lavagem de dinheiro e atentados contra o sistema financeiro; e ocultação de bens, diretos ou valores, que corresponde ao misterioso desaparecimento dos documentos originais no processo, nos quais os auditores da Receita decidem pela condenação da Rede Globo pelo crime de sonegação.
O Barão de Itararé, nesta segunda-feira, foi em comitiva às dependências da Superintendência da PF-RJ, para saber do andamento do processo e, segundo o blogueiro Miguel do Rosário, editor do blog O Cafezinho, “a PF, após conferir a importância que o caso adquire como exemplo contra a sonegação de impostos, agora conduz um inquérito contra as Organizações Globo”.
Leia, adiante, a matéria publicada no blog O Cafezinho:

O chefe da Delegacia Fazendária da Polícia Federal do Rio de Janeiro, Fabio Ricardo Ciavolih Mota, confirmou à comitiva do Barão de Itararé-RJ que o visitou nesta segunda-feira: o inquérito policial contra os crimes fiscais e financeiros da TV Globo, ocorridos em 2002, foi efetivamente instaurado. Os crimes financeiros da TV Globo nas Ilhas Virges Britânicas foram identificados inicialmente por uma agência de cooperação internacional. A TV Globo usou uma empresa laranja para adquirir, sem pagar impostos, os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. Agora já temos um número e um delegado responsável. É o inquérito 926 / 2013, e será conduzido pelo delegado federal Rubens Lyra.

A agência enviou sua descoberta ao Ministério Público do Brasil, que por sua vez encaminhou o caso à Receita Federal. Os auditores fiscais fizeram uma apuração rigorosa e detectaram graves crimes contra o fisco, aplicando cobrança de multas e juros que, somados à dívida fiscal, totalizavam R$ 615 milhões em 2006. Hoje esse valor já ultrapassa R$ 1 bilhão.
Em seguida, houve um agravante. Os documentos do processo foram roubados. Achou-se uma culpada, uma servidora da Receita, que foi presa, mas, defendida por um dos escritórios de advocacia mais caros do país, foi solta, após conseguir um habeas corpus de Gilmar Mendes. Em países desenvolvidos, um caso desses estaria sendo investigado por toda a grande imprensa. Aqui no Brasil, a imprensa se cala. Há um silêncio bizarro sobre tudo que diz respeito à Globo, como se fosse um tema tabu nos grandes meios de comunicação.

Um ministro comprar uma tapioca com cartão corporativo é manchete de jornal. Um caso cabeludo de sonegação de impostos, envolvendo mais de R$ 1 bilhão, seguido do roubo do processo, é abafado por uma mídia que parece ter perdido o bonde da história. Nas “jornadas de junho”, um grito ecoou por todo o país. Foi talvez a frase mais cantada pelos jovens que marchavam nas ruas: “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.
A frase tem um sentido histórico. É como se a sociedade tivesse dito: a democracia voltou; agora elegemos nossos presidentes, governadores e prefeitos por voto direto; chegou a hora de acertar as contas com quem nos traiu, com quem traiu a nossa democracia, e ajudou a criar os obstáculos que impediram a juventude brasileira de ter vivido as alegrias e liberdades dos anos 60 e 70.

O Brasil ainda deve isso a si mesmo. Este ano, faz cinquenta anos que ocorreu um golpe de Estado, que instaurou um longo pesadelo totalitário no país. A nossa mídia, contudo, que hoje se traveste de paladina dos valores democráticos, esquece que foi justamente ela a principal assassina dos valores democráticos. E através de uma campanha sórdida e mentirosa, que enganou milhões de brasileiros, descreveu o golpe de 64 como um movimento democrático, como uma volta à democracia!

A ditadura enriqueceu a Globo, transformou os Marinho na família mais rica do país. E mesmo assim, eles patrocinam esquemas mafiosos de sonegação de imposto?
O caso da sonegação da Globo é emblemático, e deve ser usado como exemplo didático. Se o Brasil quiser combater a corrupção, terá que combater também a sonegação de impostos. Se estamos numa democracia, a família mais rica no país não pode ser tratada diferentemente de nenhuma outra. Se um brasileiro comum cometer uma fraude fiscal milionária e for pego pela Receita, será preso sem piedade, e seu caso será exposto publicamente.
Por que a Globo é diferente? A sonegação da Globo deve ser exposta publicamente, porque é uma empresa que sempre viveu de recursos públicos, que é uma concessão pública, que se tornou um império midiático e financeiro após apoiar um golpe político que derrubou um governo eleito – uma ação pública, portanto.

Esperamos que a Polícia Federal cumpra sua função democrática de zelar pelo interesse público nacional. E esperamos também que as Comissões da Verdade passem a investigar com mais profundidade a participação das empresas de mídia nas atrocidades políticas que o Brasil testemunhou durante e depois do golpe de 64. Até porque sabemos que a Globo continuou a praticar golpes midiáticos mesmo após a redemocratização, recusando-se a dar visilidade (e mentindo e distorcendo) às passeatas em prol de eleições diretas, manipulando debates presidenciais e, mais recentemente, tentando chancelar a farsa de um candidato (o episódio da bolinha de papel).

O Brasil se cansou de ser enganado e, mais ainda, cansou de dar dinheiro àquele que o engana. Se a Globo cometeu um grave crime contra o fisco, como é possível que continue recebendo bilhões em recursos públicos?  Matéria atualizada às 20h31

Fonte: http://correiodobrasil.com.br

Jô Moraes: Os desafios de Cuba

Por Jô Moraes* Em fevereiro de 2013 estive na República de Cuba. Participei do III Encontro Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, no qual se encontraram 800 delegados de 44 países. Pude caminhar sozinha, conversar com o povo cubano, pegar táxis à noite, indo e vindo, com a mais absoluta liberdade e segurança. Tive oportunidade de aferir a opinião daqueles que andam pelas ruas, daqueles que vivenciam as dificuldades. Todos sabem que o Governo de Cuba, enfrenta há 52 anos, um bloqueio desumano, um bloqueio econômico, um bloqueio de medicação, um bloqueio tecnológico, que impede que haja parcerias para a construção do desenvolvimento do país.

Tive a oportunidade também de me encontrar com o presidente Raul Castro que, em conversa informal na Embaixada do Brasil no país narrava com entusiasmo o debate que estava fazendo com o povo cubano sobre as mudanças que estavam sendo propostas.

O Governo cubano, naquela ocasião acabara de tomar medidas modificando a sua política econômica. Algumas dessas mudanças foram registradas no Vermelho, em artigo de Théa Rodrigues e Vanessa Silva da redação do Vermelho, em dezembro de 2013 sob o nome de ”Em 2013, Cuba anunciou reformas para fortalecer economia”.

 “Apesar da manutenção do bloqueio econômico que impede o desenvolvimento econômico de Cuba, o país tem adotado importantes medidas para aperfeiçoar seu sistema e preservar suas conquistas sociais.

Uma das principais mudanças é que o país se abre aos investimentos estrangeiros mediante empresas mistas, nas quais o Estado cubano sempre dispõe de uma maioria de ao menos 51%. O novo modelo também promove as cooperativas, pequenas propriedades agrícolas e trabalhadores independentes, com a finalidade de reduzir o papel do Estado nos campos estratégicos.  Cuba também atualizou sua política migratória, o novo código de trabalho, o sistema de compra e venda de carros e criou a Zona de Desenvolvimento Especial de Mariel (ZDEM), uma das medidas econômicas mais importantes do país.

A ZDEM é o maior investimento em infraestrutura das últimas duas décadas em Cuba e tem 80% de capital brasileiro. A zona possui instalações portuárias para acomodar os novos e maiores navios de contêineres, seguindo a expansão do Canal de Panamá e também uma zona de processamento de exportações e nova infraestrutura de comunicações e transporte terrestre”.

É dentro desse esforço por mudanças que Cuba recebeu os presidentes e chefes de Estado dos 33 países que compõem a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) que estiveram reunidos em Havana, Cuba, para debater os novos rumos do organismo integracionista.

*É deputada federal pelo PCdoB de Minas Gerais e coordenadora da bancada feminina na Câmara.

Fonte: http://www.vermelho.org.br

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

PMDB é disputado por PT e PSDB em três Estados, mas na PB corre atrás dos petistas


Principal aliado na base do governo Dilma, o PMDB é disputado por PT e PSDB em três Estados que, juntos, concentram 20% do eleitorado: Minas Gerais, Paraná e Ceará. Além disso, o aliado no plano nacional já definiu que estará contra o PT na disputa local em ao menos quatro Estados: Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Piauí. Secretário-geral do PSDB, o deputado federal Mendes Thame não esconde a intenção de atrair o aliado de Dilma. "Não temos uma campanha para presidente da República, temos 27 campanhas e precisamos nos fortalecer em 27 Estados", disse o tucano. Apesar de peemedebistas reconhecerem que são remotas as chances de desembarque do governo, a preocupação no PT é que o aliado libere diretórios estaduais para apoiar adversários de Dilma na disputa presidencial. "Nossa prioridade é reeleger a Dilma. Evidente que precisamos de um PMDB unido em todos os Estados no palanque dela", afirma o presidente do PT-RS, Ary Vanazzi. Além do presidente nacional do PT, Rui Falcão, o ex-presidente Lula também fará uma rodada de conversas nos Estados que mais preocupam como no Ceará. O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) tem repetido que não abre mão de concorrer ao governo e que, se for dispensado pelo PT, estará aberto a uma aliança com o PSDB. Líder nas pesquisas no Estado, Eunício já foi procurado pelo senador e presidenciável tucano Aécio Neves para fechar uma chapa com o ex-governador Tasso Jereissati (PSDB), que disputaria uma na vaga ao Senado. No Ceará, o PT tem compromisso de apoiar o nome indicado pelo governador Cid Gomes (Pros), que, para apoiar Dilma, rompeu com o PSB, do pré-candidato ao Planalto Eduardo Campos (PE). Em Minas, o PMDB se divide em três correntes. A maioria defende a candidatura do senador Clésio Andrade. Parte quer indicar o ministro Antônio Andrade (Agricultura) como vice de Fernando Pimentel (PT). Menos provável, mas usado como carta para negociar espaço na Esplanada, é o apoio ao PSDB, cujo candidato mais cotado hoje é o ex-ministro Pimenta da Veiga. O presidente do PMDB mineiro, deputado Saraiva Felipe, aponta a falta de diálogo da cúpula com os diretórios estaduais como causa das dissidências. "É a primeira vez que não tem uma reunião para tentar adequar [as alianças]. É como se tivesse um 'liberou geral'", disse. No Paraná, tucanos querem indicar o deputado Osmar Serraglio (PMDB) para vice do governador Beto Richa (PSDB), favorito nas pesquisas. Os dois são aliados, e Serraglio tem a seu favor o comando do diretório estadual. Já as negociações do lado da candidata petista, Gleisi Hoffmann, ocorrem no plano nacional. O vice-presidente Michel Temer (PMDB) vê na candidatura do senador Roberto Requião (PMDB) a única chance de levar a disputa ao segundo turno. Alguns casos já são considerados batalha perdida, como Bahia e Rio Grande do Sul, onde historicamente o PMDB faz oposição ao PT, e Pernambuco, onde o aliado apoiará o candidato do governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB). No Piauí, a avaliação de peemedebistas é que a ruptura poderia ter sido evitada. Lá, foi o PT quem rompeu com PMDB, após cobranças para apoiar o aliado. PT e PMDB têm ainda problemas para resolver em Estados como Rio de Janeiro, Maranhão, Paraíba e Mato Grosso do Sul, apesar de haver chances de aliança em caso de segundo turno. Folha.

Fonte: http://www.paraiba.com.br