quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eleitores de Dilma estão habilitados a mover ação contra Aécio Neves

O jornalista Janio de Freitas, colunista da Folha de S. Paulo, destacou, nesta terça-feira (2), a declaração do candidato derrotado à Presidência da República.

Aécio Neves (PSDB), que afirmou em entrevista no fim de semana que perdeu a eleição "para uma organização criminosa que se instalou no seio de algumas empresas brasileiras patrocinadas por esse grupo político que aí está."


De acordo com o jornalista da Folha, de fato Aécio não perdeu para um partido político. "Perdeu para os eleitores, petistas, peemedebistas e nada disso, que lhe negaram o voto e o deram a Dilma".

Ainda segundo Jânio de Freitas, qualquer um deles está agora habilitado, desde que capaz de alguma prova de adesão a Dilma, "a mover uma ação criminal contra Aécio Neves por difamação, calúnia, injúria, e cobrar-lhe uma indenização por danos morais."

Jânio de Freitas prossegue afirmando que uma foto em manifestação, uma doação, um cartaz na janela ou no carro "podem se juntar às demais provas para dar uma resposta à acusação de Aécio Neves tão gratuitamente agressiva e tão agressivamente insultuosa."

O jornalista destaca que é difícil admitir que Aécio "esteja consciente do papel que está exercendo. A situação social do Brasil não é de permitir que acirramentos, incitações e disseminações de ódios levem apenas a efeitos inócuos, de mera propaganda política."

Jânio destaca ainda que, se Aécio acha que está sendo porta-voz de um sentimento de indignação, pior ainda: "fica evidente que não sabe mesmo o que está fazendo, e aonde isso o leva."

Fonte: Jornal do Brasil

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O povo tem fome de quê?

O resultado desta eleição trouxe dados muito interessantes pros agentes políticos e, ao meu ver, especialmente para o PT, que claramente deve repensar sua atuação ou corre o sério risco de não mais continuar crescendo e vencer uma próxima batalha.

Os saldos das urnas do primeiro e do segundo turno mostram um leve declínio do ciclo do PT na representação institucional e política. 75% da população pedia mudanças nestas eleições. Dilma ganhou defendendo +MUDANÇAS, + FUTURO. GOVERNO NOVO, IDEIAS NOVAS.

A nova classe média, segundo dados, representa 56% do eleitorado; as classes A e B ficaram com Aécio; as classes D e E ficaram com Dilma e a classe C ficou dividida e no segundo turno, pendeu para Dilma.

Estes dados mostram que as pessoas estão subindo de nível, estão crescendo também na sua consciência crítica e não mais se deixarão levar por promessas vazias e muito menos se satisfazem com obras e saciamento apenas das suas necessidades materiais imediatas.

Foram dados várias pistas de que o povo quer mais; que ele está mais exigente e quer um atendimento das suas necessidades básicas "num padrão fifa", como dizia o grito das ruas em 2013.

Sabiamente, o povo elevado nos 12 anos de governos do PT não está entendendo estes benefícios como presentes e benevolência do presidente Lula e da presidenta Dilma, mas como direitos.

Criticamente, esta juventude que invadiu as universidades e os milhares de pequenos empresários e trabalhadores formais que estão gradativamente tendo suas vidas melhoradas.

Estão dizendo que este sistema político putrefácto no qual todos nós nos embrenhamos na medida em que o alimentamos em cada eleição e do qual se beneficiam e se locupletam os políticos eleitos com o dever e a promessa de combate-los, chegou ao seu fim.

A vitória da presidente Dilma deu um cartão vermelho nesta imprensa falada e escrita, especialmente a globo e o grupo abril, principal partido atuando de fato como oposição nestes 12 anos de governos do PT, o ano inteiro sem pagar multas por campanha extemporâneas como é o caso dos partidos oficiais.

Esta mídia podre e servidora dos interesses privados desta elite sociopática, como disse Florestam Fernandes, teve que engolir a quarta vitória do Partido dos Trabalhadores. Como canta o grupo musical, OS TITÃS:

A gente não quer só comida. A gente quer comida diversão e arte! A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte! A gente não quer só comida, a gente quer a vida como ela quer! A gente não quer só comida, a gente quer ter prazer para aliviar a dor!

A gente não quer só comida, a gente quer dinheiro e felicidade! A gente não quer só dinheiro, a gente quer inteiro e não só pela metade! A gente não quer só comida, a gente quer fazer amor. DESEJO – NECESSIDADE – VONTADE! O POVO TEM FOME DE QUÊ? 

O povo não quer só comida! O povo não que ser agente passivo. O povo tem fome de quê? O POVO TEM "FOME DE PÃO E DE BELEZA"! Por Joana Ribeiro

Fonte: www.brasil247.com

Reforma política com participação popular

Todos os brasileiros, preocupados ou não com o tema da corrupção, todas aquelas pessoas que durante a campanha presidencial e ainda hoje afirmam e divulgam que o PT é mais corrupto que os demais partidos, deveriam se engajar a partir de agora na luta pela reforma política, o caminho mais curto contra a corrupção.

Encampar esta luta não é apenas repetir o que dizem os outros, é entender o que ela representa, por quais caminhos pode ser feita, que pontos devem ser defendidos dentro dela como imprescindíveis, o que já foi feito neste sentido, e, principalmente, onde as boas iniciativas estão estagnadas, ou seja, em quais mesas foram engavetadas e em nome de quais interesses.

Leva-nos a refletir os fatos e os processos que geraram, de uma só vez, a prisão de vários empresários proprietários das maiores empreiteiras do país, relacionados a um esquema de desvio de verbas da Petrobras, segundo as denúncias, instalado na estatal desde os governos de FHC.

O problema não está apenas nos partidos, ou no governo, mas sim e de forma mais determinante na manutenção do sistema econômico capitalista. Seus representantes corrompem para garantir que a cada governo, seja ele qual for, continuem ganhando cada vez mais e mais dinheiro e assegurando seus privilégios de classe dominante.

Seus defensores estão disseminados em pontos estratégicos do governo, Executivo, Legislativo e Judiciário. Lutar contra eles é um papel de toda a sociedade, mas de nada adianta apenas esbravejar e apontar o dedo, é necessário fiscalizar, acompanhar, cobrar no dia a dia.

O STF, por exemplo, começou a julgar desde o início deste ano, uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), questionando exatamente a legitimidade de doações de pessoas jurídicas para campanhas políticas, um dos maiores focos de corrupção, no Brasil e no mundo.

Por que até hoje uma ação do interesse de toda a Nação ainda não chegou ao fim? É fácil entender. Quando a votação chegou a seis a um, pelo fim das doações de empresas, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, na prática adiando o julgamento por tempo indeterminado. Quanto tempo um ministro do STF necessita para ler um processo de tamanha importância?

Não é preciso ser letrado nem ter mestrado em política para saber que o custo cada vez maior que as campanhas representam para os candidatos, partidos e sociedade é muito alto e que é imprescindível aprimorar as regras para os próximos pleitos, sob pena de colocarmos em risco a democracia.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, um candidato à Presidência da república necessita hoje de mais de R$ 300 milhões para se eleger, um candidato ao governado tem que desembolsar perto de R$23 milhões.

Enquanto que para um senador se eleger ele precisa de gastar, em média, R$4 milhões.Que pessoas físicas têm esses montantes? A solução em sua maior parte vem por meio de doações de empresas, o que, obviamente, limita a independência de um mandato popular.

Nos últimos anos, a sociedade brasileira criou alguns mecanismos e tentativas de controle social sobre a ação do Estado. Graças à democracia e a esses mecanismos (sejam os institucionais, como os conselhos, sejam as organizações que monitoram o orçamento público de forma autônoma) os casos de corrupção estão sendo denunciados.

Entretanto, esse processo é paradoxal, pois promove a sensação de que o Brasil é mais corrupto na democracia do que na ditadura. Sensação falsa pois na ditadura não havia possibilidade de denúncia.

Ultimamente cabeças golpistas utilizam-se do tema corrupção como motor para pregar a volta do regime militar. Durante os 21 anos de ditadura o país não estava livre deste mal, mas comentar o assunto significava prisão ou morte na certa.

Um dos coordenadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), o advogado Luciano Santos, decidiu fazer um apelo aos cidadãos mais conscientes para que ajudem a pressionar o ministro Gilmar Mendes a divulgar o seu voto.

Quanto mais rápido isso acontecer, mais rápido o julgamento chegará ao fim. Iniciativas do gênero, de incentivo ao papel fiscalizatório da sociedade - que está sendo cumprido pelas milhares de pessoas que já assinaram o abaixo assinado neste sentido na internet- são absolutamente louváveis e tudo indica que passarão cada vez mais a acontecer. Só enfrentamos a corrupção com a radicalização da democracia.

Não uma democracia que se estruture apenas na representação (via processo eleitoral e partidos). Mas sim uma democracia que conjugue a questão da representação com a democracia direta e a participativa.

A democracia direta é o direito que a população tem de decidir sobre as grandes questões que lhe diz respeito. E neste momento decisivo de nossa história política é imprescindível que a população participe de forma direta da discussão da reforma política.Por, Chico Vigilante.

Fonte: www.brasil247.com

Papo com Dilma

A presidente recebeu, a 26 de novembro, representantes do Grupo Emaús que, há 40 anos, articula, no Brasil, a teologia da libertação e as ferramentas pastorais que a tornam realidade na esfera eclesial.

Acolheu-nos no Planalto por mais de uma hora, em companhia de Aloísio Mercadante, chefe da Casa Civil. Dilma demonstrava muito bom humor e abertura às nossas críticas e sugestões.Entregamos a ela carta assinada por 34 participantes do Emaús, entre os quais teólogos(as), sociólogos(as), educadores e militantes de movimentos pastorais.

Manifestamos nossa proposta para seu segundo mandato, em texto intitulado "O Brasil que queremos”: reforma política (para a qual nos pediu sugestões); modelo econômico mais social e popular; auditoria da dívida pública.reavaliação dos megaprojetos à luz de critérios ambientais e sociais; defesa dos direitos de povos indígenas e quilombolas; restrição do uso de transgênicos e agrotóxicos.

Insistimos nas reformas de que o país tanto necessita, sobretudo agrária, urbana e tributária. Sugerimos nova política de segurança pública e reforma prisional; a democratização dos meios de comunicação; e a universalização dos direitos humanos com respeito à diversidade.

Consideramos importante a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; a reapresentação do projeto de Participação Social; e o rigoroso combate à corrupção. (A íntegra da carta se encontra em meu site: www.freibetto.org ).

Enfatizamos a importância do diálogo permanente com os movimentos sociais e, em especial, com os jovens. Ela, imediatamente, cuidou de agendar tal sugestão. Criticamos também o sistema de comunicação do governo e insistimos na valorização dos centros de referência em direitos humanos e na política de proteção ambiental.

Dilma não apenas agradeceu as nossas críticas e sugestões, como abriu canais para que se tornem frequentes.Fiquei com a impressão de que a presidente não dispõe de muitos interlocutores críticos. O poder costuma inibir aqueles que buscam tirar proveito pessoal.

como manter a função e a suposta boa impressão, e preferem não correr o risco de serem mal acolhidos. Cria-se assim um círculo vicioso: a presidente escuta de muitos que a cercam apenas elogios, e fica desinformada quanto a avaliações críticas pertinentes.

Ao final da audiência, ela externou o fascínio pelo homem que, hoje, ocupa o seu coração: o papa Francisco. Relatou os encontros que tiveram e as conversas descontraídas, concordando que ele é, atualmente, o mais importante líder mundial, capaz de estender pontes (daí o termo pontífice) entre regiões, países e Estados em conflitos.

À saída da sala presidencial, encontrei Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria e amigo de longa data. Em seguida, ele seria recebido por Dilma. Brinquei:"Robson, já tratamos com a presidente dos direitos dos trabalhadores. Agora é a sua vez de falar dos interesses dos patrões...” Frei Betto é escritor

Fonte: site.adital.com.br

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ministra do Supremo defende reforma política no Brasil

Carmen Lúcia, atual ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu há pouco uma transformação no sistema político brasileiro. 

De acordo com a juíza, uma reforma com mudanças pontuais não será suficiente para atender as demandas da sociedade. Em seu pronunciamento durante congresso sobre direito constitucional em Brasília, na sexta-feira, 28 de novembro, ela utilizou a metáfora “maquiar um cadáver” para fazer alusão a esse processo.

Para a juíza, os questionamentos atuais são um sinal de que o modelo político vigente no Brasil não deu certo. "Não é possível que uma sociedade viva de sobressaltos éticos e institucionais. Como está, não está bom".

Ela acredita que o Brasil adota um modelo invertido de promoção de mudanças políticas no qual a sociedade pouco participa. "Aqui, o Estado resolve em que momento ele permite que órgãos instituídos pelos dirigentes trabalhem sobre os temas que sejam da sociedade", disse, após afirmar que na Alemanha, a sociedade quem atua e toma decisões políticas.

Uma das principais dificuldades em promover a reforma política, segundo ela, tem relação com os próprios legisladores. "Quem faz a reforma é exatamente quem chegou aos cargos por meio das normas que se pretende mudar. 

Há muita gente satisfeita com o modelo político que aí está", destacou. Segundo Cármen Lúcia, o papel do STF nesse cenário será de traçar os caminhos que não podem ser tomados na política.

Da Agência CNM, com informações do Estadão

Sistema eleitoral mais justo exige fim de doações empresariais

A reforma política tem sido um tema cada vez mais presente em nosso cotidiano. Nas jornadas de junho de 2013 esta foi, inclusive, uma das pautas de reivindicação dos milhares de jovens que foram às ruas protestar por um Brasil melhor.

Na corrida presidencial, a reforma política também esteve presente nas propostas dos (as) candidatos (as) tanto no primeiro quanto no segundo turno.

No último debate antes do segundo turno das eleições, dia 24 de outubro, transmitido pela TV Globo, enquanto Aécio Neves (PSDB) defendia o fim da reeleição, Dilma Rousseff (PT) mencionava a necessidade de acabar com o financiamento empresarial nas campanhas eleitorais, como um dos passos para a reforma política.

Em pronunciamento recente, o atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ministro Ricardo Lewandoski, sustentou que a doação de empresas a campanhas eleitorais gera “desequilíbrio” e é uma “fonte de corrupção”.

Atualmente, dispositivos das Leis 9.096/95 (que dispõe sobre partidos políticos, regulamentando os arts. 17 e 14, § 3º, “i”, da Constituição da República de 1988) e a lei 9.504/97 (que estabelece normas para as eleições) permitem as doações por empresas (pessoas jurídicas) e pessoas e físicas aos candidatos e partidos.

Desde setembro de 2011, contudo, a constitucionalidade desses dispositivos vem sendo questionada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) a partir do ajuizamento de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4650 .

A síntese do pedido foi a declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos que permitem a doação por pessoas jurídicas a campanhas eleitorais e partidos políticos, bem como das pessoas físicas, neste último caso impondo uma limitação pequena o suficiente para não comprometer a igualdade nas eleições.

Os principais argumentos utilizados pela OAB para pedir a inconstitucionalidade dos dispositivos foi a grande influência do poder econômico nas eleições, com a consequente desigualdade política entre os candidatos e a influência dos mais ricos no pleito eleitoral.

Essa enorme influência geraria problemas graves como, por exemplo, que após as eleições os maiores doadores busquem favorecimentos dos políticos eleitos, sendo essa a primeira fonte para a corrupção.

No que tange às empresas (pessoas jurídicas) há ainda o fato de que essas não se enquadram no conceito de “povo”, não exercem cidadania por meio do voto, não podem votar nem serem votadas.

Os demais argumentos utilizados pela OAB foram a violação de dispositivos constitucionais como o princípio da igualdade que diz que todas as pessoas devem ser tratadas com o mesmo respeito e a mesma consideração pelo Estado (art. 5º, caput e art.

 14 da Constituição da República 1988), isto é, todos os candidatos devem concorrer em igualdade de condições; violação ao princípio democrático (art. 1º, Constituição de 1988), e a garantia do sufrágio universal pelo voto direto, secreto, e com valor igual para todos (art.

14 da Constituição da República de 1988), que foi, inclusive, elevada à condição de cláusula pétrea (art. 60, § 4º, II, da mesma carta política); violação ao princípio republicano e a noção de que os governantes e agentes públicos não gerem o que é seu, mas o que pertence a toda a coletividade: a “coisa pública” (res publica).

O julgamento que se iniciou no dia 11 de dezembro de 2011 encontra-se suspenso, desde abril de 2014 em razão do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Até o momento, já foram proferidos 6 votos favoráveis à procedência da ação proposta pela OAB e um voto desfavorável.

Ainda faltam 4 ministros se pronunciarem, quais sejam Gilmar Mendes, Rosa Weber, Carmen Lúcia e Celso de Mello. Até o final do julgamento, todos os ministros podem mudar o voto, apesar de se acreditar que isso seja pouco provável.

O julgamento favorável da ação proposta pela OAB pondo fim ao financiamento empresarial das campanhas eleitorais e impondo limitações rígidas às doações por pessoas físicas é apenas o primeiro passo para alcançarmos um sistema eleitoral mais justo e igualitário e o início de uma reforma política efetiva em busca do aperfeiçoamento de nossa democracia.

Editorial publicado no site Brasil Debate

PT aprova resolução de combate à corrupção

Partido defende investigações de denúncias de ilícitos na Petrobras e expulsão de envolvidos; Rui Falcão, presidente do PT: combate à corrupção e punição para envolvidos

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão, reafirmou, neste sábado (29), o compromisso da legenda na luta contra a corrupção. O partido aprovou, no segundo dia de reuniões do Diretório Nacional em Fortaleza (CE), uma resolução de combate à corrupção.

“Temos o compromisso histórico de combater implacavelmente a corrupção”, disse Falcão. “Mostramos atitudes já tomadas em contraste com o silêncio sepulcral dos tucanos, sendo no governo de Fernando Henrique Cardoso, nos 20 anos em São Paulo ou nos 12 anos em Minas Gerais”, explicou.

No documento, o Diretório Nacional do partido se mostra a favor do prosseguimento das investigações de denúncias de corrupção na Petrobras, dentro dos marcos legais e sem partidarismo.

De acordo com o presidente do PT, os petistas comprovadamente envolvidos nos ilícitos da Petrobrás serão expulsos. “Concluídas as investigações, queremos que os corruptos comprovadamente provados possam ser punidos. Se houver alguém do PT implicado com provas, ele será expulso”, afirmou.

Para Rui Falcão, a abertura do diálogo por parte da presidenta Dilma Rousseff foi concretizada no discurso feito no encerramento do primeiro dia de reuniões do Diretório Nacional do PT, em Fortaleza, nesta sexta-feira (28).

“A disposição de Dilma foi materializada de forma muito direta e correspondeu às expectativas que a direção do partido tinha sobre o comportamento dela em relação à sociedade e aos partidos”, falou o presidente nacional do PT.

De acordo com ele, Dilma reafirmou todos os compromissos feitos em campanha, principalmente em relação às questões econômicas. Além disso, segundo o presidente do partido, a presidenta reafirmou o protagonismo do PT no governo.“O PT não será jamais linha auxiliar da oposição, mas também nunca será o beija mão da situação”, disse Falcão.

Sobre as manifestações contrárias ao resultado da eleição presidencial e aos pedidos de impeachment, destacados no discurso de Dilma como “golpismo”, Falcão disse haver uma grande “intolerância” contra a vitória petista nas urnas. Ao falar sobre a questão da mídia nas eleições, ele classificou o jornalismo feito pela revista “Veja”, da editora Abril, como sendo “de esgoto”.

“Não acredito que, embora aqui ou ali possa haver um inconformado com nossos 12 anos de governo, possa vir a ter algum atentado à democracia”, avaliou o presidente do PT. Segundo ele, a população tem participado de forma intensa da vida democrática do Brasil. Leia a íntegra da resolução:

COMBATER A CORRUPÇÃO; Assim como demonstrou na vitoriosa campanha eleitoral da reeleição da presidenta Dilma Roussef, o PT tem agora o desafio de reafirmar a sua liderança no combate à corrupção sistêmica no Brasil. Para o PT, a luta contra a corrupção se vincula diretamente à democratização e à desprivatização do Estado brasileiro.

Foi durante os governos Lula e Dilma que se estabeleceram, como políticas de Estado, as principais políticas de combate à corrupção. Já no primeiro governo Lula, foram construídos os dois principais sistemas de combate à corrupção – a Controladoria Geral da União e a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (ENCCLA).

que reúne representantes dos principais órgãos públicos federais de prevenção, controle, investigação e punição à corrupção. No princípio de 2014, o governo Dilma fez aprovar a Lei 12.683 que estabeleceu, pela primeira vez, uma punição rigorosa penal e econômica às empresas corruptoras.

Foi assim por coerência que, durante a campanha eleitoral, a presidenta Dilma assumiu novos compromissos em torno de cinco novas leis que vão apertar o cerco à impunidade da corrupção no Brasil.

Faz parte de suas tradições programáticas e tem sido cada vez mais enfatizado pelo PT, em campanhas públicas, a defesa de uma nova lei eleitoral que estabeleça o financiamento público das campanhas eleitorais e, em particular, a proibição do financiamento de empresas privadas às campanhas eleitorais.

O financiamento empresarial das campanhas, ainda mais sem uma regulação e controle, distorce profundamente a representação, em desfavor de todos os setores populares, oprimidos e explorados. E tem o efeito de criar vínculos de interesses privatistas e ilegítimos, renovando a cada eleição os circuitos da corrupção. Esta proibição é, portanto, fundamental para o combate à corrupção.

Ao contrário dos governos petistas, não se sabe de nenhuma medida importante tomada pelos governos FHC no combate à corrupção. Ao mesmo tempo, propostas de CPI para investigar escândalos ocorridos nos oito anos de mandato foram barradas, inclusive quando era presidente da Câmara o atual senador Aécio Neves, candidato derrotado na última eleição e presidente do PSDB.

O mesmo padrão tem se repetido, ponto a ponto, nos já vinte anos de governo do PSDB no Estado de São Paulo e nos doze anos de governo do PSDB em Minas Gerais, tornando-se uma marca registrada dos governos tucanos: corrupção, acobertamento e impunidade.

É, pois, uma afronta à inteligência e à consciência cívica dos brasileiros o PSDB, em conjunto com o sistema de mídia monopolizada, se apresentar como o campeão da luta contra a corrupção, acusando o PT de ser o partido responsável por um alegado aumento da corrupção no Brasil. Se hoje a corrupção aparece mais, ao contrário do passado, é porque ela, pela primeira vez na história do país, está sendo sistematicamente combatida.

Ao apoiar de forma decidida as investigações em curso sobre a corrupção na Petrobrás, o PT vem a público manifestar também as suas exigências de que ela seja conduzida rigorosamente dentro dos marcos legais e não se preste a ser instrumentalizada, de forma fraudulenta, por objetivos partidários.

Além disso, defende a Petrobrás como empresa pública, responsável por conquistas extraordinárias do povo brasileiro na área da energia, da criação de novas tecnologias e novos futuros para o país. Os trabalhadores da Petrobrás não podem e não devem ser culpados por quem se utilizou dela para fins ilícitos e de enriquecimento.Além de recuperar patrimônio que lhe foi roubado, a Petrobrás sairá deste processo fortalecida em sua governança pública e na sua capacidade de prevenir desvios de recursos.

Cabe ao Ministério da Justiça zelar para que aquelas autoridades imediatamente encarregadas das apurações zelem pelo devido respeito ao processo legal. Estarreceu a todos os brasileiros a divulgação de que algumas delas postaram na internet materiais de campanha em favor do candidato do PSDB à Presidência e insultos ao ex-presidente e à presidente atual do país. A impessoalidade exigida de agentes públicos, violada neste caso, exigiria o imediato afastamento dos implicados.

É inaceitável que um processo de delação premiada, que corre em segredo de justiça, seja diariamente vazado para órgãos da imprensa, sempre de oposição editorial ao governo Dilma, como já denunciou inclusive o Procurador Geral da República.

 O próprio TSE já julgou como caluniosa uma gravíssima operação de vazamento seletivo de informações ocorrido às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais e publicado pela revista Veja. Feitas sempre de modo seletivo, estas informações atribuídas e sem provas têm servido de forma sistemática a uma campanha orquestrada por órgãos de mídia contra o PT.

É igualmente inaceitável que a palavra de criminosos corruptos, inclusive já condenados outras vezes, seja aceita como verdadeira mesmo sem prova documental. A liberdade de expressão não pode ser confundida com o exercício interessado da calúnia e da difamação: sem a primeira, não se constrói a democracia; com o segundo, é a própria democracia que corre perigo. Todo acusado – seja de que partido for – deve ter o direito de defesa e ser julgado com o devido processo legal.

Da parte do PT, manifestamos a disposição firme e inabalável de apoiar o combate à corrupção. Qualquer filiado que tiver, de forma comprovada, participado de corrupção, deve ser imediatamente expulso, como já afirmou publicamente o presidente do partido. Ao mesmo tempo, aprofundaremos a luta pela reforma política, em particular pela proibição do financiamento de candidaturas eleitorais por empresas.Link: DN – RESOLUCAO COMBATER A CORRUPÇÃO

Fonte: http://www.pt.org.br/