Apenas no primeiro mês
deste ano, a Delegacia de Proteção ao Idoso, recebeu 174 queixas de violações
de direitos.
De 1º a 30 de janeiro, 174
pessoas procuraram a Delegacia de Proteção ao Idoso, no Centro de João Pessoa,
para prestar queixas pela violação de direitos. De acordo com o delegado
plantonista Marcelo Falcone, a maioria dos casos refere-se a abusos
financeiros, negligência, violência psicológica, além dos casos de maus-tratos
em cuidados básicos, como alimentação, falta de atendimento médico e medicação,
e também abandono.
“Cerca de 90% dos crimes
cometidos contra idosos ocorrem dentro de casa, por membros de sua própria
família, sendo o cartão de benefícios deles o objeto de maior desejo por parte
dos agressores. Mas já nos deparamos com todos os tipos possíveis de crimes que
possam ser cometidos contra um ser humano. O difícil muitas vezes, é que
como agressor e vítima possuem laços familiares que não se desfazem jamais, uma
vez aqui na delegacia, pais, mães e avós não permitem que seus filhos e netos
respondam pelos crimes que cometeram contra eles, muitas vezes pagando a fiança
estipulada”, afirmou.
Em 2013, a Delegacia de
Proteção ao Idoso da capital instaurou 167 inquéritos para apuração desses
crimes, recomendando muitas vezes a prisão dos criminosos ou o afastamento
deles da residência dos idosos. No entanto, os casos de abandono da pessoa
idosa pelos familiares configuram-se como os casos de maior destaque citados
pela equipe da delegacia.
O delegado lembrou de um caso
emblemático ocorrido em 2012, quando uma idosa foi resgatada da casa onde
morava em Mangabeira, em condições subumanas. “Ela estava há muito tempo
trancada, sem acesso a água e aos medicamentos que precisava, e já estava comendo
a espuma do colchão onde dormia. Foi doloroso ver uma situação como essa.
“Acionamos o Ministério Público
e a encaminhamos para um abrigo, enquanto investigávamos o passado dela em
busca de alguém que pudesse ser responsabilizado pelo que foi feito a ela”,
lembrou Marcelo Falcone. Ausente das estatísticas da Delegacia do Idoso e
vivendo há 13 anos no abrigo está o senhor de 70 anos, que não terá o nome
revelado para preservar sua identidade.
Um exemplo do abandono, ele
morava sozinho em um pequeno terreno próximo à Escola de Serviço Público do
Estado da Paraíba (Espep), em Mangabeira, trabalhava como auxiliar de limpeza,
sem contato com nenhum de seus 12 irmãos, até que sofreu um atropelamento na
Avenida Josefa Taveira, onde perdeu a visão. Internado do Hospital de Trauma da
capital, sem documento ele foi ajudado por um casal que o socorreu no momento
do acidente e levado para o abrigo, onde vive até hoje.
“Eu antes me considerava feliz
porque tinha saúde e isso bastava. Hoje sou feliz porque tenho amigos aqui.
Meus fins de semana são bastante animados com a chegada das visitas dos
voluntários e passo meus dias conversando com as outras pessoas daqui. Não
quero sair daqui de jeito nenhum”, contou sorrindo após o almoço na
instituição.
CASOS
ENVOLVENDO UNIÕES AFETIVAS: Tendo a questão financeira como principal
responsável pelos crimes cometidos contra idosos, o delegado Marcelo Falcone
lembrou que são comuns os casos em que idosos se unem afetivamente com mulheres
muito mais jovens e que posteriormente buscam a polícia para reaver bens e
dinheiro tomados por elas.Um desses casos foi registrado
recentemente, quando o delegado convocou um casal onde o esposo era 30 anos
mais velho que a esposa e que reclamava de estar sofrendo agressões psicológicas
pela companheira e os filhos dela.
“Em casos como esse buscamos o
diálogo e apresentar a ambas as partes os direitos e sanções que cada um pode
sofrer. Como ele não demonstrou interesse em deixá-la, explicamos quais eram as
obrigações dela para com ele, com relação à movimentação financeira dos
recursos dele e os liberamos”, contou o delegado. Outro caso de violação de
direito dos idosos foi o de uma dona de casa de 61 anos, que compareceu à
delegacia para solicitar que a polícia retirasse seu ex-marido, de 51 anos, da
casa onde morava, no bairro do Róger e da qual ela foi expulsa.
“Ele era um bom marido. Com ele
tive cinco filhos e já estávamos juntos há mais de 20 anos quando ele se
'engraçou' por uma mulher de 30 anos e teve durante um ano um caso com ela,
levando-a a morar em um quartinho na parte de cima da minha casa. Até que no
final do ano passado, ele me bateu, me ameaçou com um faca e tive que sair da
minha casinha.
Hoje moro de aluguel em uma
pequena vila, enquanto ele mora na minha casa com essa mulher. Vim pedir que a
polícia me ajude a reaver o que é meu”, informou tristonha e muito abalada a
dona de casa, que no momento da denúncia contava apenas com o apoio de uma
neta.
Fonte: Portal Jornal da Paraíba

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